Por um breve momento acreditei seriamente que aquele cara estava usando a filha como desculpa para soltar pum no hospital. Sozinho, com o bebê no colo, perto da janela, longe das pessoas, emitindo sons muito semelhantes ao incômodo supracitado. Aquela velha história de que onde tem crianças e cachorros adulto nunca peida. Meu comentário mental caiu na máxima americana "get a bathroom" ou algo assim. Esse é o tipo de gente que encontro no segundo andar.
No primeiro andar todos os pacientes são alunos e funcionários do hospital, que esperam pacientemente pelo elevador cheio e lento para chegarem onde precisam. Eu vou de escada, subir lentamente e chegar antes que todos eles em qualquer andar. Mas sempre que vejo uma pessoa saindo da porta do terceiro andar fico me perguntando se é alguém da psiquiatria fugindo. Afinal, deve haver um motivo para esse ser o único andar cuja porta fica sempre fechada.
O quarto andar ainda não existe para mim, mas o quinto é meu maior destino. Foi lá que me deparei com aquela pessoa que toma 4 garrafas de cachaça por dia. No resto do dia ele faz xixi, porque, né?, vamos combinar: quem é que bebe sequer 4 garrafas de água por dia?!
E foi me fazendo essa pergunta e olhando para fora que encontrei uma pessoa no telhado. Com mochila nas costas e tal, tinha cara de fugitivo. Não satisfeito em me surpreender, o mundo decidiu me mostras mais uma pessoa em cima do telhado, indo atrás da primeira. Um comparsa, por certo. Depois outra e depois outra. Elaborei 3 hipóteses perfeitamente plausíveis:
1. tem uma galerinha grande e preciosa que não curte hospital e tá fugindo dos médicos
2. algumas pessoas tem muita preguiça de dar a volta nos estabelecimentos e criaram um caminho alternativo que consiste em passar por cima de qualquer obstáculo
3. talvez eu devesse ficar mais tempo no terceiro andar...
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domingo, 7 de agosto de 2011
domingo, 25 de abril de 2010
Tem que ter peito
Algumas coisas não são fáceis na minha vida; como falar com estranhos. Ou com pessoas mais velhas. Com estranhos mais velhos nem se fale, então! Trauma de infância, vai entender... Mas tá aí, fomos eu e a Cerva pedir patrocínio. Saí do carro, levantei a cabeça, caminhei a passos firmes em direção a porta e abri meu lindo sorriso não-sei-oq-faço-aqui-mas-sou-legal-embora-pareça-psicopata e ganhei um "só um momentinho" enquanto a moça fazia outras coisas. Fingi enorme interesse por chocolates (que me interessam, vejam bem, mas no momento eu queria mesmo sair de lá) enquanto aguardava, falei, entreguei a proposta e fui embora. Tem que ter peito para fazer isso. Pelo menos se vc é como eu.
Tem que ter peito como aquela(e) moça(o) exibindo seus litros de silicone perfeitamente redondos totalmente sem blusa ou sutiã no meio da avenida em que a gente se perdeu, na volta pra casa. Porque algumas pessoas se desesperariam vendono mínimo 10 concorrentes em um quarteirão tão pequeno com suas roupas apertadas ou quase inexistentes no seu ambiente de trabalho. Outras levantariam a cabeça, estufariam o peito e os exibiriam com louvor. Precisa ter peito pra isso, claro, porque pessoas sem peito seriam facilmente ofuscadas pela moça lá na frente, que tinha bunda. E usou a bunda pra sentar numa luz azul e ficar iluminada. Imaginem meu choque. Ou não imagine, para seu próprio bem.
Meu ponto é (e notem que eu estou aprendendo a ter um ponto, chegar a algum lugar): é preciso ter peito! Ter a coragem de fazer as coisas. "O jardim de infância acabou e a bicicleta está sem rodinhas, ninguém vai te segurar se você cair. Se você não gosta da sua vida, faça algo para mudar, se afaste do que te incomoda, se não pode andar, rasteje. Contanto que você faça algo! Vá para academia, entre para um clube, um culto,qualquer coisa! Só não fique choramingando." (reclamação que eu vi hoje em Private Practice)
E que fique claro que isso não é sobre seios, bundas, ou enfrentar receios bestas. É muito mais complexo do que sou capaz de escrever.
Tem que ter peito como aquela(e) moça(o) exibindo seus litros de silicone perfeitamente redondos totalmente sem blusa ou sutiã no meio da avenida em que a gente se perdeu, na volta pra casa. Porque algumas pessoas se desesperariam vendo
Meu ponto é (e notem que eu estou aprendendo a ter um ponto, chegar a algum lugar): é preciso ter peito! Ter a coragem de fazer as coisas. "O jardim de infância acabou e a bicicleta está sem rodinhas, ninguém vai te segurar se você cair. Se você não gosta da sua vida, faça algo para mudar, se afaste do que te incomoda, se não pode andar, rasteje. Contanto que você faça algo! Vá para academia, entre para um clube, um culto,qualquer coisa! Só não fique choramingando." (reclamação que eu vi hoje em Private Practice)
E que fique claro que isso não é sobre seios, bundas, ou enfrentar receios bestas. É muito mais complexo do que sou capaz de escrever.
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