O barulho me faz bem. Abafa as vozes que gritam dúvidas na minha cabeça. Quisera eu ter vozes que gritassem verdades, mas sou um poço de perguntas sem respostas. Minto, tenho algumas respostas, algumas convicções, mas acredito que as mais inabaláveis são apenas mentiras reconfortantes. Ou virão a ser. Quanto mais respondo mais pergunto, quanto mais pergunto mais me frustro por não ter soluções. Ou sequer saídas...
O barulho me dá uma dor de cabeça fenomenal. Dessas que me levam a tomar remédio: eu, que mal tomo xarope para gripe.
O silêncio, então, me faz bem. Descansa a cabeça de tanta poluição, alivia a dor.
O silêncio me faz refletir sobre minhas percepções, meus erros, minhas convicções, meus medos, minhas aversões. E quando reflito busco soluções. E isso me dá uma dor de cabeça que só o barulho consegue encobrir.
"caminhando e cantando e seguindo a canção"
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segunda-feira, 10 de outubro de 2011
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Os conhecidos que não me conhecem...
Viu-os, com olhos grandes, pretos e redondos, faiscantes com a vida que despertava enraivecida dentro dela. Respirou, pensando em explicar-se mais uma vez. Desistiu. Estava cansada das pessoas que achavam que a conheciam. Como poderiam, se nem ela havia conseguido tal proeza? Inspirou com a profundeza de seus sentimentos, suas reflexões covardes que apareciam e corriam dela antes de fazerem-se claras.
Não, ela não gostava mais daquilo. Já participara de muitas coisas, conhecera muita gente, fizera amigos e dera muitas risadas em outros momentos, que ela amava com todas as forças, mas que já não eram seu presente. Não queria dormir no chão ou não dormir, tinha preguiça de pessoas histéricas, não dava nem um décimo da importância que todas aquelas pessoas de almas jovens davam a uma competição, qualquer que fosse. Não combinava mais com aquelas coisas e tinha preguiça. Tinha inveja, também, daqueles que amavam todas aquelas coisas com simplicidade e emoção, cabível aos inocentes. Invejava sua devoção, seu aproveitamento simplório daqueles momentos de vida, sua felicidade fácil e livre. Era muito mais complicada que eles e não se orgulhava disso.
Mas essa era ela. Ela. E sim, seus olhos pretos e sua cara de eventual mau humor não precisavam que as pessoas lhe dissessem "você vai se arrepender!". Como, por Deus, poderiam saber? Alguém ali morava em seu coração, visitava suas entranhas, via sua alma? Alguém ali arrepiava-se com livros bons, chorava em desenhos de urso, morria de saudades de um gato branco e decrépito? Alguém ali lembrava com muito muito muito carinho de uma tarde de autógrafos em um tempo próximo, que fora uma das melhores tardes de sua vida? Alguém adorava cheiro de gasolina, de chuva, de cachorro quando toma banho, de casa limpa, de casa de mãe? Alguém ficava com os olhos estalados quando a chuva caía lá fora, hipnotizada pela força e grandeza daquela água mágica, vinda do além? Alguém sim. Ela. Ela, em suas esquisitices únicas, suas multi-caras, seus humores mutantes. Ela, que não se entendia e não se conhecia tão bem quanto gostaria, mas sabia-se única e desigual, como cada uma das pessoinhas sobre a Terra.
Sorriu, quando alguém, muito velho, ou que se sentia muito velho, alegou que ela ainda era nova e que um dia ia sentir saudades de poder ir àquelas competições, e teria vontade, mas não poderia. Respirou, tentando imaginar o que aquele cara sabia da vida, de sua vida. Sorriu, satisfeita em apenas sorrir.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Estupidez federal
Final de ano todo mundo num clima vermelho e branco de mãos dadas nas ruas cantando "e então é natal, oq vc fez?". Tirando a cena com cara de globo de neve, fica a pergunta. E então? Então as pessoas respondem fácil: dei meu lugar no ônibus para uma grávida, ajudei uma velhinha a atravessar a rua, doei dinheiro pra caridade ou passei de ano. Esse último sou eu. É, eu passei de ano. Mas a pergunta séria, que todo mundo deveria se fazer algumas vezes na vida, é: e então você é adulto, oq vc fez? E a última resposta esperada de um ser humano qualquer deve ser "entrei armado em uma escola e dei tiros na cabeça de crianças". Sério, cara, o que você fez?!
A tragédia do Rio me chocou. Criou altas reflexões, até mesmo sobre as implicações psicológicas na vida das crianças sobreviventes. Fazer uma escola ser divertida é tenso. Fazer uma escola ser divertida para uma criança que assistiu múltiplos assassinatos na última aula chega a ser tortura.
Recentemente comecei a ouvir a expressão "explica, mas não justifica". Nada justifica oq esse moço fez. Minto, caso ele tenha vindo do futuro para impedir a morte da humanidade pelas mãos daquelas crianças esse episódio foi apenas um ato de legítima defesa. Eu, particularmente, duvido que isso seja real. Portanto, nada justifica. A pergunta que não quer calar é: então oq explica? Essa vou deixar no ar, não sei responder. Mas o que me deu arrepio na espinha não foi isso. Isso foi o choque e uma expressão de inconformada. Me deu arrepio e me encheu os olhos de lágrimas saber que algumas crianças mais velhas deitaram em cima de outras mais novas para proteger. Graças a Deus quando o mundo me dá motivos para acreditar que a sociedade está perdida surge alguém para falar que é pegadinha e ainda há esperanças.
Outra grande droga que esse crime fez foi ofuscar o caso do menino em Goiás que confessa ter matado a namorada de sua irmã (sim, vc leu certo). Pura homofobia, que seria muito bem vinda nesse quadro atual de discussão da criminalização da homofobia no Brasil. Preconceito é um crime que pode culminar nessas merdas. A lógica para encarar o homossexualismo é simples, deixa eu explicar: ninguém precisa gostar, ninguém precisa ser forçado a ser, ninguém precisa sequer aceitar; mas precisa respeitar. Não gosto de homofobia tanto quanto não gosto de homossexual que não respeita a heterossexualidade dos outros (sim, isso existe, embora eu não veja com grande frequência).
Fica aí uma descontração: Cientistas encontram esqueleto do que seria um homem pré-histórico homossexual (Estadão). Os esqueletos podem, os golfinhos podem, até o Nemo pode.
Eu só desejo a paz mundial (Miss Simpatia).
PS: a teoria do Nemo é simples. Peixes palhaços mudam de sexo quando vivem com outro peixe palhaço do mesmo sexo. O que, pasmem, é exatamente a situação do Nemo com o pai dele. O pai dele, no entanto, já teve a mãe dele, enquanto o Nemo não teve ninguém. Deixo pra vcs a conclusão de quem mudou de sexo.
A tragédia do Rio me chocou. Criou altas reflexões, até mesmo sobre as implicações psicológicas na vida das crianças sobreviventes. Fazer uma escola ser divertida é tenso. Fazer uma escola ser divertida para uma criança que assistiu múltiplos assassinatos na última aula chega a ser tortura.
Recentemente comecei a ouvir a expressão "explica, mas não justifica". Nada justifica oq esse moço fez. Minto, caso ele tenha vindo do futuro para impedir a morte da humanidade pelas mãos daquelas crianças esse episódio foi apenas um ato de legítima defesa. Eu, particularmente, duvido que isso seja real. Portanto, nada justifica. A pergunta que não quer calar é: então oq explica? Essa vou deixar no ar, não sei responder. Mas o que me deu arrepio na espinha não foi isso. Isso foi o choque e uma expressão de inconformada. Me deu arrepio e me encheu os olhos de lágrimas saber que algumas crianças mais velhas deitaram em cima de outras mais novas para proteger. Graças a Deus quando o mundo me dá motivos para acreditar que a sociedade está perdida surge alguém para falar que é pegadinha e ainda há esperanças.
Outra grande droga que esse crime fez foi ofuscar o caso do menino em Goiás que confessa ter matado a namorada de sua irmã (sim, vc leu certo). Pura homofobia, que seria muito bem vinda nesse quadro atual de discussão da criminalização da homofobia no Brasil. Preconceito é um crime que pode culminar nessas merdas. A lógica para encarar o homossexualismo é simples, deixa eu explicar: ninguém precisa gostar, ninguém precisa ser forçado a ser, ninguém precisa sequer aceitar; mas precisa respeitar. Não gosto de homofobia tanto quanto não gosto de homossexual que não respeita a heterossexualidade dos outros (sim, isso existe, embora eu não veja com grande frequência).
Fica aí uma descontração: Cientistas encontram esqueleto do que seria um homem pré-histórico homossexual (Estadão). Os esqueletos podem, os golfinhos podem, até o Nemo pode.
Eu só desejo a paz mundial (Miss Simpatia).
PS: a teoria do Nemo é simples. Peixes palhaços mudam de sexo quando vivem com outro peixe palhaço do mesmo sexo. O que, pasmem, é exatamente a situação do Nemo com o pai dele. O pai dele, no entanto, já teve a mãe dele, enquanto o Nemo não teve ninguém. Deixo pra vcs a conclusão de quem mudou de sexo.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Quatro mãos brancas, um céu azul
Céu azul, azul alegria, azul leveza, azul verão. Pássaros cantavam, tons alegres e repetitivos, tons vida de pequenas gargantas, inocentes e felizes. Felicidade quase tangível de uma sacada aberta, meio de tarde de março, nuvens acumulando-se ao longe, vento suave a sorrir. Carros carreando abaixo, buzinas, cantoreios mecânicos de corações metálicos, inocentes e felizes. Mãos brancas, contorcendo-se, apagadas, mudas, gritando por socorro, dor calada de quem sabe. Mãos brancas agarrando o parapeito, desespero e agonia, perfusão escassa daqueles que perderam a inocência e sabem. Cachorros dorminhocos, embaixo dos bancos da praça, sonhando e se remexendo, famintos e satisfeitos em seus sonhos de preás, focinhos focinhentos, inocentes e felizes. Olhos desesperados, ora muito serenos, daqueles que perderam tudo e têm tudo, sabem demais e sabem. Cabelos escuros ao vento, que carrega as lágrimas profundas e muito rasas, doloridas e sem sentimento, lágrimas que sabem. Tudo e nada tocando-se no horizonte com dor e alegria. Vida, dia-a-dia, amor e indiferença. Hino de decência prendia-a ali, pés nos azulejos frios da sacada branca a engolí-los. Hino de decência. Inocência? Perdera-a, como perdera o mundo.
O mundo? Um dia, sorrira a ela. Mas era um dia distante, tão distante que parecia sem sentido, parte de uma vida que secara junto das folhas de sua parreira no outono. Ainda sorria, escarnecendo de seu desajuste. Olhava-a e ria dela, tão gigante em uma casinha de baratas, tão pequena a trombar nas pernas dos adultos. Ria dela como riam, sem dó, todos os inocentes e felizes, que não sabiam. Era antinatural. Não cabia mais ali. Não conseguira encontrar, como todos esperavam que consguisse, um lugar ali, uma cama que não lhe expusesse os pés ou não fosse dura demais. Era cachinhos negros em uma casa de ursos que lhe devoravam a alma com mingau. Não havia ali lugar para ela. Não mais.
Os outros? Desligara-os. Não importava-se mais. Simplesmente não conseguia conviver consigo mesma, presa a uma alma quebradiça e sem brilho. Odiava as fotos de sua sala, momentos e sorrisos congelados que não voltariam mais. Almas que não sabiam, como a sua. Almas que não percebiam. Almas prontas, encaixotadas, felicidade instantânea de mingaus em 3 minutos. Onde estava aquela das fotos? Onde estava? Perdera-se em um caminho longo e desgastante. Sentia-se ingrata, mimada, imbecil. Perdia-se em uma dor tão desajustada quanto ela, sem motivo, razão ou destino. Mas não suportava. Faltava-lhe o mundo.
O mundo? Tinha-o. Tinha tudo. Carinho, dinheiro, inteligência. Família, amigos, cachorros. Estava tudo ali. Tudo? Como ursos a observar a jovem garotinha a engolir veneno, em uma cadeira grande para adultos. Como os pássaros, o vento, as nuvens. Inocentes e felizes.
O mundo? Abandonara-a. Esvaira-se dela, como lágrimas rebeldes, teimosas, que fogem feito labradores amarelos, correndo atrás de bolas. Escorrera de suas mãos pálidas, que agora tremiam, a espera. Deixara-a vazia, oca como uma grande tigela, que antes carregara mingau saboroso, mas agora jazia junto a louças sujas, rodeadas de moscas, pequenos urubus.
A campainha tocou e seus olhos vermelhos correram até a porta. Não precisou abri-la. Ali estava ela, como sempre esperara vê-la. Toda de preto, o sorriso de esqueleto, quente e amigável, mãos de ossos muito ternas e compreensivas. Olharam-se longamente, partilhando a tristeza de um momento que aguardava, suspenso. Deram-se as mãos, brancas, plácidas, agora dois pares de mãos serenas. Os carros aproximaram-se muito rapidamente. Arrependeu-se por um mínimo instante. Deixou de sentir no seguinte. Estava livre. Como os cachorros, os pássaros e o vento. Como a sacada alta que deixara para trás.
Céu azul, azul alegria, azul leveza, azul verão.
domingo, 14 de novembro de 2010
Desabafos e epifanias de um domingo a tarde...
Essas últimas semanas foram cheias de acontecimentos, grandes e pequenos. Tive algumas epifanias (e olha que nem precisei apanhar de árvores para isso, como o Homer), cresci um pouquinho, vi sentido em algumas partes e a ausência completa em outras. Enfim, vivi. E vim aqui, contar para quem quiser ler, os trechos de aprendizado prático que um Simpósio, um Tusca e o tempo entre eles conseguiram me ensinar.
1) Não confie em pessoas que sabem serem fundamentais em determinada situação e por isso mesmo resolvem não cumprir com coisas previamente acordadas para terem benefícios. Você pode se surpreender com elas depois das 11hs da noite!
2) Nunca fale o verdadeiro horário do coffee break para a padaria responsável em entregá-lo. Seus ouvintes poderão ficar a ver navios, ou melhor, a ver docinhos e salgados!
3) Não se esqueça de pedir para as pessoas preencherem com LETRA LEGÍVEL a ficha de inscrição. Ameace-as com a não impressão do certificado!!
4) Confira com antecedência as apresentações de todos os seus palestrantes. Você não quer que alguém fique constrangido, quer?
5) Aprenda o caminho de ida e DE VOLTA também do aeroporto. Não é legal se perder com pessoas desconhecidas no carro!
6) Existem amigos que vão morar em seu coração até você parar de respirar, amigos para você ir para baladas e se divertir, amigos para você conversar sobre quase tudo, amigos de dia e de noite, amigos que unem todas essas características, colegas que podem ser super legais e a falta de opção. Evite confundir a falta de opção com amizade verdadeira. Pode custar caro.
7) Maturidade é fazer amigos daqueles que discordam de você e dispensar a eles a mesma quantidade e qualidade de amor que dispensa àqueles que concordam com você em quase tudo de coração. Crescer significa também entender que as pessoas são diferentes de você e que você pode amá-las justamente por isso.
8) Homens, ou quase, podem ser tão fofoqueiros quanto mulheres e ainda mais maldosos. Preste atenção, muita atenção, naqueles que o rodeiam em todos os momentos.
9) Decepcionar-se com as pessoas faz parte da vida. Irrite-se, soque almofadas, esbraveje e supere. O mundo ainda tem muito mais pessoas boas do que ruins.
10) Saiba ouvir verdades, por mais dolorosas que sejam. É a partir delas que o crescimento torna-se possível e você aproxima-se mais da pessoa que gostaria de ser um dia.
11) Entenda que a carência pode fazer com que pessoas vejam em você características que não estão lá. Não sinta-se mal por isso.
12) Não ofenda-se com classificações que terceiros possam lhe dar. Ninguém sabe de sua história de vida. Ou, se sabe, não entende. Só você sabe o que viveu.
13) Pelos mesmos motivos do item 12, evite classificar as pessoas.
14) Se você já fez uma graduação, bebeu muito, curtiu muito, cansou muito seu pobre fígado, sinta-se liberado de ser super animado para fazer as mesmas coisas na segunda!
15) Beber vodka pura em quantidade e não ficar bêbado só pode significar uma coisa: a bebida estava batizada com água.
16) Parentes podem ser muito diferentes mesmo! Não pré-julgue alguém por ter um parente feio. Quem sabe que alelos esse outro recebeu?
17) Torcedores de futebol unidos podem comportar-se como animais alucinados. Especialmente se forem corinthianos.
18) No fundo, as pessoas todas só querem ser felizes. Pense nisso antes de se irritar com alguém, qualquer que seja.
19) Algo irritante para você pode ser ridículo para outros e vice-versa. Não sinta-se melhor ou pior por isso. Você não é.
20) Tente não se irritar (esforce-se, pelo menos) com pessoas que discursam como se fossem infinitamente melhores que as outras. No fundo, elas se sentem tão tão pequeninas que precisam desse tipo de discurso para se sentirem algo mais que rasteiras.
21) Mágoas sempre passam. Aquela frase que sua mãe diz, que o tempo é o melhor dos remédios, pode ser super verdadeira. Pelo menos na maior parte dos casos.
Enfim, people... Não é tudo, mas é quase. Na verdade, acho que estou mais desabafando e tentando me convencer de todas essas coisas do que tentando repassar algo para vocês. Mas vocês entendem, né? =)
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Procura-se pessoa má
Uma coisa irritante é gente irritante. Uma coisa séria é trabalho. Uma coisa irritante e séria é quando pessoas irritantes atrapalham seu trabalho. Não, você não deveria ir para sua casa fazer seja lá o que você quer fazer enquanto tem trabalho para fazer aqui. Sim, pode até ser que a gente dê conta sem você, mas é uma putafaltadesacanagem eu não poder ir para casa também. Ou você acha que eu não queria tomar banho, trocar de roupa, pentear o cabelo, comer? Não, na verdade eu curto mesmo esse visual acabado com 3 camadas de comida na minha calça jeans e nenhuma no meu estômago.
Mas eu nem ia falar isso. Digo, hoje vc não tem aula de manhã e tem uma prova a tarde. O que fazer? Estudar o quanto puder e depois dormir até descansar. Você conseguiu tirar duas notas vermelhas nas duas únicas provas que já fez de outra matéria. O que fazer? Comparecer à revisão de prova que sua professora marcou. Aviso que: se esses dois eventos acontecem no mesmo dia, seu dia não começou bem. Você acordou cedo tendo ido dormir tarde e nem vai poder revisar a matéria da prova atual porque já foi incapaz de fazer isso na anterior. Um beijo aos que sofrem de faculdade!
Aí você ganha uns pontos extras, vai bem na prova, parte mais feliz para preparar a sua tão planejada festa junina e alguém, na montagem das barracas, levanta um cano de metal que consegue jogar seus óculos para longe e se enfiar no seu olho. Me senti prestes a ser um filme: andar desorientadamente em busca dos óculos até ouvir um clec! e lamentar a vida. Mas como euestava com meu olho doendo e momentaneamente cego sou muito inteligente, fiquei parada até recuperá-los e a tragédia acabou. Um beijo aos que sofrem de olho.
Aí eu recebi ordens estúpidas (desculpa, mas depois as pessoas se perguntam porque alunos calmos e felizes aparecem com armas na escola e matam os coleguinhas... #desabafo). Aí eu vi gente fazendo nada. Aí eu comecei a ficar na correria, me dá isso, corta aquilo, coloca na panela, derruba, suja, limpa, queimou a luz! Eu teria agradecido se meu trabalho fosse interrompido por isso, mas eu só tive que continuar fazendo comida no escuro. Neste ponto milhares de pessoas e situações já estavam me irritando e eu precisava muito, muito mesmo, de uma pessoa má.
Pessoa má: aquele seu amigo com o qual você pode falar tudo que te irrita, gritar, xingar, desabafar, e ele ainda vai completar seu pensamento e ser igualmente mau sem tentar te mostrar o lado bom das coisas. Às vezes a gente só precisa de alguém pra concordar. Um beijo para quem sofre de ausência de pessoa má.
Depois de achar minha pessoa má, voltei para minha ilha: uma barraca cercada de gente por todos os lados. Me sentia num zoológico com zumbis famintos tentando atravessar minha jaula. Eu já vi que vc está aí e quer um lanche completo, mas tem outras dezenas de pessoas aqui tbm, então espera! As pessoas só reclamam. Eu não vou fazer lanche pra você, não dá pra ver que estou cortando os pães para que todas as outras pessoas possam fazer lanche para você e outros tantos!? Não, você não pode pagar menos, você não pode comer uma salsicha, você não pode levar as batatas. E você não vai, veja bem, NÃO VAI, pagar direto aqui sendo que todos os outros passaram no caixa.
Eu sendo séria: um indivíduo perguntou se podia pagar direto na barraca. O Jipe até chegou a dizer que sim, mas eu disse q não. Não pode porque dá problema na hora de fechar as contas, na festa passada isso já aconteceu e errar na mesma coisa de novo seria estupidez nossa. O indivíduo, que passará a ser chamado de Detestável, insistiu. Não, Detestável, não pode, isso dá rolo. Mas ir até o caixa é longe, eu pago mais para você aqui! Não, sinto muito, mas eu não posso. Detestável volta-se para o Jipe: deixa vai? Jipe: ela que manda aqui. Detestável: mas por você não teria problema... Eu: é, mas quem manda aqui sou eu e eu estou falando não.
Tá bom, isso foi meio desnecessário. Só meio, porque o Detestável era totalmente descenessário e desagradável. Eu expliquei para ele que dinheiro é só no caixa, se não qualquer um pode guardar no bolso e ir embora, que a gente tinha decidido em reunião e tal. Se tem uma coisa q me irrita é quando decidimos coisas em reunião e as pessoas descumprem como se a discussão não tivesse existido. Pior quando elas nem aparecem nas reuniões e querem mudar tudo depois. Só não me irrita mais do que bêbado insistindo em pegar coisa de graça. Se não estiver bêbado então, pior! Se estiver bêbado puxando conversas sem qualquer estrutura lógica, me irrita. Se a festa já acabou e você está lá, impedindo que eu guarde as mesas e cadeiras e limpe o chão e feche as barracas, você me irrita. Arranja uma vida, sério.
Tudo porque eu ser a pessoa má da minha própria vida me irrita também. E pode parecer que nossa-você-é-a-pessoa-mais-irritada/irritante-do-mundo mas tudo isso é só drama. No fundo é tudo tão passageiro quanto filmes de zumbis: toda hora sai um novo, mas ele acaba rápido. Uma pessoa má é tipo a pipoca, vc precisa dela pra extravasar a sensação de pessoas incrivelmente lentas e feias comendo seu cérebro.
[ e aí que um menino ainda conseguiu chegar para mim e falar que eu passava uma sensação de paz para ele. imagina só se eu não estivesse irritada, eu passaria uma sensação quase de morta, então]
Mas eu nem ia falar isso. Digo, hoje vc não tem aula de manhã e tem uma prova a tarde. O que fazer? Estudar o quanto puder e depois dormir até descansar. Você conseguiu tirar duas notas vermelhas nas duas únicas provas que já fez de outra matéria. O que fazer? Comparecer à revisão de prova que sua professora marcou. Aviso que: se esses dois eventos acontecem no mesmo dia, seu dia não começou bem. Você acordou cedo tendo ido dormir tarde e nem vai poder revisar a matéria da prova atual porque já foi incapaz de fazer isso na anterior. Um beijo aos que sofrem de faculdade!
Aí você ganha uns pontos extras, vai bem na prova, parte mais feliz para preparar a sua tão planejada festa junina e alguém, na montagem das barracas, levanta um cano de metal que consegue jogar seus óculos para longe e se enfiar no seu olho. Me senti prestes a ser um filme: andar desorientadamente em busca dos óculos até ouvir um clec! e lamentar a vida. Mas como eu
Aí eu recebi ordens estúpidas (desculpa, mas depois as pessoas se perguntam porque alunos calmos e felizes aparecem com armas na escola e matam os coleguinhas... #desabafo). Aí eu vi gente fazendo nada. Aí eu comecei a ficar na correria, me dá isso, corta aquilo, coloca na panela, derruba, suja, limpa, queimou a luz! Eu teria agradecido se meu trabalho fosse interrompido por isso, mas eu só tive que continuar fazendo comida no escuro. Neste ponto milhares de pessoas e situações já estavam me irritando e eu precisava muito, muito mesmo, de uma pessoa má.
Pessoa má: aquele seu amigo com o qual você pode falar tudo que te irrita, gritar, xingar, desabafar, e ele ainda vai completar seu pensamento e ser igualmente mau sem tentar te mostrar o lado bom das coisas. Às vezes a gente só precisa de alguém pra concordar. Um beijo para quem sofre de ausência de pessoa má.
Depois de achar minha pessoa má, voltei para minha ilha: uma barraca cercada de gente por todos os lados. Me sentia num zoológico com zumbis famintos tentando atravessar minha jaula. Eu já vi que vc está aí e quer um lanche completo, mas tem outras dezenas de pessoas aqui tbm, então espera! As pessoas só reclamam. Eu não vou fazer lanche pra você, não dá pra ver que estou cortando os pães para que todas as outras pessoas possam fazer lanche para você e outros tantos!? Não, você não pode pagar menos, você não pode comer uma salsicha, você não pode levar as batatas. E você não vai, veja bem, NÃO VAI, pagar direto aqui sendo que todos os outros passaram no caixa.
Eu sendo séria: um indivíduo perguntou se podia pagar direto na barraca. O Jipe até chegou a dizer que sim, mas eu disse q não. Não pode porque dá problema na hora de fechar as contas, na festa passada isso já aconteceu e errar na mesma coisa de novo seria estupidez nossa. O indivíduo, que passará a ser chamado de Detestável, insistiu. Não, Detestável, não pode, isso dá rolo. Mas ir até o caixa é longe, eu pago mais para você aqui! Não, sinto muito, mas eu não posso. Detestável volta-se para o Jipe: deixa vai? Jipe: ela que manda aqui. Detestável: mas por você não teria problema... Eu: é, mas quem manda aqui sou eu e eu estou falando não.
Tá bom, isso foi meio desnecessário. Só meio, porque o Detestável era totalmente descenessário e desagradável. Eu expliquei para ele que dinheiro é só no caixa, se não qualquer um pode guardar no bolso e ir embora, que a gente tinha decidido em reunião e tal. Se tem uma coisa q me irrita é quando decidimos coisas em reunião e as pessoas descumprem como se a discussão não tivesse existido. Pior quando elas nem aparecem nas reuniões e querem mudar tudo depois. Só não me irrita mais do que bêbado insistindo em pegar coisa de graça. Se não estiver bêbado então, pior! Se estiver bêbado puxando conversas sem qualquer estrutura lógica, me irrita. Se a festa já acabou e você está lá, impedindo que eu guarde as mesas e cadeiras e limpe o chão e feche as barracas, você me irrita. Arranja uma vida, sério.
Tudo porque eu ser a pessoa má da minha própria vida me irrita também. E pode parecer que nossa-você-é-a-pessoa-mais-irritada/irritante-do-mundo mas tudo isso é só drama. No fundo é tudo tão passageiro quanto filmes de zumbis: toda hora sai um novo, mas ele acaba rápido. Uma pessoa má é tipo a pipoca, vc precisa dela pra extravasar a sensação de pessoas incrivelmente lentas e feias comendo seu cérebro.
[ e aí que um menino ainda conseguiu chegar para mim e falar que eu passava uma sensação de paz para ele. imagina só se eu não estivesse irritada, eu passaria uma sensação quase de morta, então]
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